CARTA ABERTA A TODOS OS CONDEIXENSES,EM PORTUGAL CONTINENTAL,ILHAS ADJACENTES E AINDA AOS QUE ESTÃO ESPALHADOS PELO MUNDO,ONDE QUER QUE A VIDA LHES PROPORCIONE CONDIÇÕES DE TRABALHO E BEM-ESTAR FAMILIAR E ECONÓMICO.
Caros conterrâneos, a Igreja de Condeixa está a construir o seu Centro Paroquial,uma casa onde se possam desenvolver condignamente as actividades inerentes à Igreja.
Uma das importantes funções do novo edifício é a construção de duas casas mortuárias.Actualmente,o local a isso destinado ocupa um espaço retirado à sacristia.Sítio exíguo,possui apenas as condições mínimas para a função a que se destina.Quando porventura ocorre mais que um óbito simultâneo,tem de se recorrer à utilização de outro local,normalmente a própria Igreja ou a Capela da Senhora das Dores.
Nas novas instalações estão a ser construidas duas câmaras funerárias com todos os requisitos de higiene indispensáveis,privilegiando também os necessários meis de conforto para que possa ser processado o velório pelos familiares e amigos da pessoa falecida.
É claro que tudo isso custa dinheiro.Que a Igreja não possui!
Uma comissão expressamente constituida lançou mãos a iniciativas tendentes à angariação dos fundos necessários.O primeiro passo foi a edição de um livro intitulado:"CONDEIXA Paisagem,Memória e História".Trata-se de um volume com história e estóriasda nossa terra,escrito por gente de cá ou que a Condeixa está intimamente ligada.
Devido ao valioso contributo da empresa "G.C.Gráfica de Coimbra,lda.",este livro encontra-se à venda por apenas 10 euros,quantia que reverte inteiramente em favor das obras em curso.
Apelando ao bairrismo de todos,especialmente os condeixenses que,fora da sua terra lutam por uma vida melhor,vimos pedir a contribuição possível.De pequenas quantias se faz grande montante!
As eventuais dádivas,podem ser feitas através do NIB 0045 317240247045207 38
Para quem esteja interessado em adquirir o livro,pode dirigir o pedido a:Igreja de Condeixa,Largo Rodrigo da Fonseca Magalhães 3150-126-Condeixa-a-Nova
domingo, 27 de novembro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
AS PROFISSÕES E OS ARTISTAS DE CONDEIXA
"Da minha terra vejo o quanto se pode ver no Universo
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro
Nas cidades as grandes casas fecham a vista à chave
Escondem o horizonte,empurram o nosso olhar
Para longe de todo o Céu,
Tornam-nos mais pequenos porque nos tiram
O que os nossos olhos nos podem dar
E tornam-nos pobres,porque a única riqueza é ver!"
Alberto Caeiro em "O Guardador de Rebanhos"
Em todas as profissões há artistas e "sapateiros"!Esta expressão designa geralmente o profissional que executa a sua obra sem perfeição,"atamancada",daí outra maneira de dizer que tem a ver com tamancos,objectos de uso para os pés,mas de feitio tosco.
Entendo que o apodo é injusto,pois a arte de sapateiro exige conhecimento e habilidade manual!
Actualmente o calçado é produzido em unidades industriais com maqinaria sofisticada.Antigamente porém,os sapateiros faziam as botas ou os sapatos, a partir das medidas tomadas aos pés do freguês.
A primeira fase da obra correspondia à feitura das gáspeas,a parte superior do calçado,em calfe,que o sapateiro talhava e depois mandava coser em máquinas próprias,geralmente operadas por mulheres,as "ponteadeiras".Após isto, numa peça de madeira com o formato do pé,colocava o sapateiro as gáspeas,esticáva-as e prendia-as com pequenos pregos,colava as palmilhas e procedia à aposição das solas,préviamente batidas a martelo para lhes dar a espessura e consistência adequadas.Isto era importante,pois quanto mais comprimidas estivessem as solas,maior era a sua durabilidade.O passo seguinte consistia em coser as solas às gáspeas,com fio de linhol embebido em cera,para lhe dar mais resistência e maneabilidade para passar nos buracos que um furador chamado sovela ia abrindo no material.
O sapateiro trabalhava num banco baixo,com os joelhos dobrados em ângulo com o corpo para poder prender o calçado entre as pernas e assim produzir a obra.À frente,tinha uma banca onde estavam as ferramentas necessárias ao seu mister: sovela e sovelão;formas de ferro e de madeira;torquês;pica-ponto;buxete e manípulas,estas em cabedal,para protecção das mãos no manuseamento das linhas de coser.
"Grosso modo",pois nunca fui sapateiro e sei apenas o que via fazer,era assim que se desenrolava o trabalho daqueles profissionais.
Em Condeixa existiam muitos sapateiros.Uma razão para esse facto talvez se prendesse com a existência na vila de duas pequenas unidades de produção de calçado:José Lopes Cardoso e Manuel António Nunes.Essas "fábricas"foram responsáveis também pela vinda de sapateiros e ponteadeiras que acabaram por se radicar na vila.
A vida,há mais de 60 anos, tantos quanto a minha memória alcança,era difícil.Numa terra pequena,escassamente desenvolvida, vivendo quase exclusivamente da agricultura e do comércio,as necessidades familiares obrigavam a grande economia.Por isso,não é de estranhar que uma das "fábricas"mencionadas,José Lopes Cardoso,tivesse criado uma curiosa maneira de comercializar os seus produtos.Cada par de sapatos vendido a crédito,era acompanhado por uma caderneta numerada,onde se registavam as prestações mensais.Entretanto,se os últimos algarismos da Lotaria Nacional (a chamada "terminação")correspondiam aos números da caderneta,o cliente recebia como prémio o calçado comprado,sem necessidade de continuar a pagar as prestações.Há sempre uma maneira inteligente de dar a volta às dificuldades!
É curioso o facto de existirem tantos sapateiros em Condeixa,se pensarmos que naquele tempo muita agente andava descalça.Mas os sapateiros não estavam vocacionados apenas para o fabrico.Também,e mais frequentemente,faziam reparações como "deitar umas trombas",isto é,substituir a parte dianteira do calçado,aquela que estava mais sujeita aos embates com as pedras das ruas mal calcetadas.Ou "metiam meias-solas e saltos"e,se isto estava em bom estado,até substituiam as gáspeas,aproveitando tudo o resto!
A instalação em Condeixa de um posto da GNR,em 1947,fez cumprir a proíbição de andar descalço.Mesmo assim,recordo-me de ver muita gente que vinha ao mercado nos dias de feira,só utilizar o calçado quando chegava ao perímetro urbano da vila.Desta forma poupavam os sapatos na longa caminhada por estradas poeirentas e mal cuidadas.
Eu também muitas vezes percorri as ruas da vila,sem calçado.Era uma forma de me sentir mais livre.Além de evitar os ralhetes em casa,por ter estragado os sapatos nos desafios de futebol em plena rua ou na Praça!
A profissão de sapateiro,sendo uma das mais vulgares em Condeixa,tinha também figuras peculiares.São interessantes os episódios tendo como protagonistas os sapateiros ou os seus clientes.
Ao Ti Nero foi incumbida a tarefa de reparar umas botas.Era inverno e o sapateiro sem mais nada para calçar,serviu-se das botas do freguês.Quando este ljhe perguntava se as botas estavam prontas,respondia apenas:"estou com elas",percebendo o cliente que ele estava "com elas em mãos".Mas na verdade,ele estava com elas calçadas!
O Ti João Cavaca costumava gastar o produto do seu trabalho,na taberna.A mulher,tentando que,pelo menos,algum dinheiro sobrasse para as despesas,pediu a um cliente que apenas pagasse metade e lhe desse a ela o restante.Não lhe serviu de nada o expediente!Quando o cliente disse que só pagava uma parte e depois levava o resto,respondeu-lhe calmamente o sapateiro:"Só paga metade?Pois leva apenas um sapato.Quando pagar o resto,leva o outro!"
Era assim o quotidiano desta terra que,sendo pequena,era enorme na quantidade de profissionais nos diversos ofícios.Artistas que pretendo recordar,respeitosamente,nesta rubrica.
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro
Nas cidades as grandes casas fecham a vista à chave
Escondem o horizonte,empurram o nosso olhar
Para longe de todo o Céu,
Tornam-nos mais pequenos porque nos tiram
O que os nossos olhos nos podem dar
E tornam-nos pobres,porque a única riqueza é ver!"
Alberto Caeiro em "O Guardador de Rebanhos"
Em todas as profissões há artistas e "sapateiros"!Esta expressão designa geralmente o profissional que executa a sua obra sem perfeição,"atamancada",daí outra maneira de dizer que tem a ver com tamancos,objectos de uso para os pés,mas de feitio tosco.
Entendo que o apodo é injusto,pois a arte de sapateiro exige conhecimento e habilidade manual!
Actualmente o calçado é produzido em unidades industriais com maqinaria sofisticada.Antigamente porém,os sapateiros faziam as botas ou os sapatos, a partir das medidas tomadas aos pés do freguês.
A primeira fase da obra correspondia à feitura das gáspeas,a parte superior do calçado,em calfe,que o sapateiro talhava e depois mandava coser em máquinas próprias,geralmente operadas por mulheres,as "ponteadeiras".Após isto, numa peça de madeira com o formato do pé,colocava o sapateiro as gáspeas,esticáva-as e prendia-as com pequenos pregos,colava as palmilhas e procedia à aposição das solas,préviamente batidas a martelo para lhes dar a espessura e consistência adequadas.Isto era importante,pois quanto mais comprimidas estivessem as solas,maior era a sua durabilidade.O passo seguinte consistia em coser as solas às gáspeas,com fio de linhol embebido em cera,para lhe dar mais resistência e maneabilidade para passar nos buracos que um furador chamado sovela ia abrindo no material.
O sapateiro trabalhava num banco baixo,com os joelhos dobrados em ângulo com o corpo para poder prender o calçado entre as pernas e assim produzir a obra.À frente,tinha uma banca onde estavam as ferramentas necessárias ao seu mister: sovela e sovelão;formas de ferro e de madeira;torquês;pica-ponto;buxete e manípulas,estas em cabedal,para protecção das mãos no manuseamento das linhas de coser.
"Grosso modo",pois nunca fui sapateiro e sei apenas o que via fazer,era assim que se desenrolava o trabalho daqueles profissionais.
Em Condeixa existiam muitos sapateiros.Uma razão para esse facto talvez se prendesse com a existência na vila de duas pequenas unidades de produção de calçado:José Lopes Cardoso e Manuel António Nunes.Essas "fábricas"foram responsáveis também pela vinda de sapateiros e ponteadeiras que acabaram por se radicar na vila.
A vida,há mais de 60 anos, tantos quanto a minha memória alcança,era difícil.Numa terra pequena,escassamente desenvolvida, vivendo quase exclusivamente da agricultura e do comércio,as necessidades familiares obrigavam a grande economia.Por isso,não é de estranhar que uma das "fábricas"mencionadas,José Lopes Cardoso,tivesse criado uma curiosa maneira de comercializar os seus produtos.Cada par de sapatos vendido a crédito,era acompanhado por uma caderneta numerada,onde se registavam as prestações mensais.Entretanto,se os últimos algarismos da Lotaria Nacional (a chamada "terminação")correspondiam aos números da caderneta,o cliente recebia como prémio o calçado comprado,sem necessidade de continuar a pagar as prestações.Há sempre uma maneira inteligente de dar a volta às dificuldades!
É curioso o facto de existirem tantos sapateiros em Condeixa,se pensarmos que naquele tempo muita agente andava descalça.Mas os sapateiros não estavam vocacionados apenas para o fabrico.Também,e mais frequentemente,faziam reparações como "deitar umas trombas",isto é,substituir a parte dianteira do calçado,aquela que estava mais sujeita aos embates com as pedras das ruas mal calcetadas.Ou "metiam meias-solas e saltos"e,se isto estava em bom estado,até substituiam as gáspeas,aproveitando tudo o resto!
A instalação em Condeixa de um posto da GNR,em 1947,fez cumprir a proíbição de andar descalço.Mesmo assim,recordo-me de ver muita gente que vinha ao mercado nos dias de feira,só utilizar o calçado quando chegava ao perímetro urbano da vila.Desta forma poupavam os sapatos na longa caminhada por estradas poeirentas e mal cuidadas.
Eu também muitas vezes percorri as ruas da vila,sem calçado.Era uma forma de me sentir mais livre.Além de evitar os ralhetes em casa,por ter estragado os sapatos nos desafios de futebol em plena rua ou na Praça!
A profissão de sapateiro,sendo uma das mais vulgares em Condeixa,tinha também figuras peculiares.São interessantes os episódios tendo como protagonistas os sapateiros ou os seus clientes.
Ao Ti Nero foi incumbida a tarefa de reparar umas botas.Era inverno e o sapateiro sem mais nada para calçar,serviu-se das botas do freguês.Quando este ljhe perguntava se as botas estavam prontas,respondia apenas:"estou com elas",percebendo o cliente que ele estava "com elas em mãos".Mas na verdade,ele estava com elas calçadas!
O Ti João Cavaca costumava gastar o produto do seu trabalho,na taberna.A mulher,tentando que,pelo menos,algum dinheiro sobrasse para as despesas,pediu a um cliente que apenas pagasse metade e lhe desse a ela o restante.Não lhe serviu de nada o expediente!Quando o cliente disse que só pagava uma parte e depois levava o resto,respondeu-lhe calmamente o sapateiro:"Só paga metade?Pois leva apenas um sapato.Quando pagar o resto,leva o outro!"
Era assim o quotidiano desta terra que,sendo pequena,era enorme na quantidade de profissionais nos diversos ofícios.Artistas que pretendo recordar,respeitosamente,nesta rubrica.
domingo, 4 de setembro de 2011
AS PROFISSÕES E OS ARTISTAS DE CONDEIXA
"...pomposo e artístico retábulo de talha dourada formando uma sumptuosa capela,para ser colocada a imagem de S.Tomaz de Vila Nova,na Sé Nova,foi feito por um entalhador de Condeixa e os cónegos ficaram tão satisfeitos com o trabalho,que em 29 de Maio de 1864 resolveram dar-lhe,além do ajustado,mais uma gratificação de 20$000 réis,havendo respeito a fazer o retábulo com toda a perfeição e perder na quantia em que tomou a obra".(in Condeixa-a-Nova,de A.Santos Conceição).
A descrição refere-se ao século XIX,mas para além da segunda metade do século XX era possível encontrar na vila pequenas lojas de sapateiro,alfaiate,barbeiro,marceneiro/entalhador,ferreiro,ferrador,tanoeiro,latoeiro e serralheiro.Moleiros então,existiam dezenas e os pedreiros,bastantes,trabalhavam ao dia,nas raras construções,mais frequentemente na reparação ocasional de paredes,telhados e muros.
Mas para ser um bom profissional,era necessário aprender.E a aprendizagem do ofício fazia-se desde pequenino,alguns mal acabavam a instrução primária,outros nem isso conseguiam.E pagava-se para aprender!Regra geral,quando os pais punham o miúdo como aprendiz,pagavam ao mestre,normalmente com produtos da terra.
Por vezes acontecia uma criança ser de fraca compleição.Nesse caso,não ia para profissões de esforço mas sim para caixeiro de loja ou ajudante de qualquer escritório.Curiosamente,não se tratando própriamente de um ofício,a condição funcionava, apesar disso, como estatuto social!
Mais comum porém era a transmissão dos saberes,de pais para filhos.Daí as gerações continuadas de profissionais da mesma arte.
O Padre Dr.João Antunes,homem de franca apetência pelas artes,quando patrocinou a reconstrução da Igreja de Santa Cristina,apercebeu-se que os profissionais contratados para as reparações,tinham capacidades inatas,porém apenas empíricas.Executavam bem os trabalhos,mas não se interrogavam porque um determinado serviço podia ser melhor conseguido com conhecimentos técnico/científicos.
Tendo contratado a colaboração de mestres de reconhecido valor,como João Machado e António Augusto Gonçalves para realizar os mais delicados reparos,surgiu-lhe a ideia de criar uma escola destinada a ministrar aos operários o necessário saber científico.Desta forma e inteiramente a suas expensas,contratou como professores António Gonçalves, Abel Manta e Pedro Olaio e fundou a Escola de Artes e Desenho Industrial,a funcionar na sua residência.
Cerâmica,pintura, música,artes manuais, foram disciplinas que devotados alunos aprenderam durante os treze anos de existência desse polo de ensino.
O romancista Fernando Namora,aluno também de artes plásticas nessa notável escola,disse em autobiografia,referindo-se ao Padre Dr.Antunes""Financiava do seu desgovernado bolso uma escola de artes e ofícios,com mestres de quilate, e morreu sem um lençol na cama.Mas entretanto a vila multiplicara-se em pintores de domingo,marceneiros-artistas,ferreiros,compositores populares".
Nos ofícios,cedo se revelaram os conhecimentos adquiridos e ainda hoje,mais de oitenta anos passados após o fim da Escola,se pode apreciar o talento transmitido através de gerações.
Felizmente,embora o facto me pese demasiado na idade,recordo bem os grandes artistas de Condeixa.Tive o gosto de conviver com a maior parte deles,admirava-lhes o saber,aprendi a respeitá-los.
É com esse respeito que me permito nomeá-los pelas alcunhas,afinal segundos nomes que se colavam perfeitamente a cada personalidade,sem que daí viesse qualquer conotação depreciativa.
Começo por referir os barbeiros,pois as barbearias eram estabelecimentos peculiares.Nas terras pequenas,meio urbanas/meio rurais,o trabalho do barbeiro manifestava-se mais ao sábado à noite,embora também se pudesse assistir a curiosas cenas de corte cabelo e barba,ao domingo de manhã.
Como já tive ocasião de referir noutro local do blogue,antigamente os barbeiros tinham uma função que ultrapassava o simples corte de cabelo.Nas terras pequena onde escasseavam os serviços clínicos,para arrancar um dente,espremer um furúnculo ou aplicar tisanas,bastava a"competência" do fígaro,auto-intitulado "Cirurgião-barbeiro"!.
A única referência que conheço sobre essas populares figuras,diz respeito a um barbeiro chamado Ti Ernesto que, a par da profissão,também "tratava"doentes e arrancava dentes.Pelas imagens que decoram alguns consultórios de dentista,imagina-se como isso se processava,assim a sangue frio,sem dó nem piedade.
O filho do Ti Ernesto,Adolfo Leitão,também era barbeiro.Lá está a transmissão de conhecimentos através de gerações.
Porém o estabelecimento que mais profissionais formou,foi a Barbearia Progresso,de António de Oliveira.Mestre António do Zé Velho,assim vulgarmente conhecido, além de competente profissional, era inspirado compositor de temas de música popular.Seu filho Ramiro de Oliveira,igualmente barbeiro e poeta,escrevia os poemas que o pai musicava.
Um pouco mais adiante, na mesma rua,situava-se a barbearia de Manuel Quaresma,o popular Manel Tagarela.Tive o gosto de ser seu cliente e amigo.Acérrimo adepto do Benfica, formava com o Zé Bacalhau(José Júlio Bacalhau),sportinguista ferrenho,Carlos Gualdino(Carlos Ramos Pereira),igualmente sportinguista e Zé Capado(José Luís Torres),benfiquista,um grupo que à segunda feira discutia calorosamente os desafios da véspera.
O Ganga(António Pessoa),inicialmente estabelecido em Condeixinha,ocupou posteriormente o rés do chão do esguio Ferro de Engomar, à esquina da Rua 25 de Abril com a Praça.Dono de linda voz de tenor,era frequentemente solicitado para cantar nas revistas musicais e em serenatas.
As restantes barbearias de Condeixa, pertenciam respectivamente a João Rito,à esquina da Praça com a Rua Dr.Fortunato Bandeira de Carvalho,a João Borrega(João Ramos)em frente ao Palácio Sotto Mayor e, ao princípio da Rua D. Elsa Sotto Mayor, o Sr. Rosa, avô dos agora também barbeiros, Alexandre e António Rosa.
No Outeiro, o Ti Picaroto(Francisco Caridade),fazia barbas e cortava cabelos ao domingo de manhã,em frente à sua casa,no Largo de S.Geraldo.
Está terminado o capítulo referente às barbearias.Outras profissões ocuparão os próximos episódios.
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