sábado, 28 de novembro de 2009

CONDEIXA E AS INVASÕES FRANCESAS

Continuação



"E depois de de narrar os factos sucedidos em Baiona entre a deputação portuguesa e Napoleão,o mesmo historiador acrescenta:

«Estes factos foram depois adulterados com injustiça para a deputação,introduzindo-se na história deles,as atoardas espalhadas por Junot e pelos agentes franceses».

"Chegou,de facto, a dizer-se que os portugueses que haviam ido a Baiona,teriam pedido um rei a Napoleão,traíndo assim a fidelidade devida à dinastia de Bragança.Ora, como com eles estava o Bispo de Coimbra,D.Francisco de Lemos Faria Pereira Coutinho,2º tio de Francisco de Lemos,o 1º Presidente da Câmara Municipal de Condeixa,d'aí nasceria,talvez,a afirmação correntia de que os Lemos eram afectos aos franceses.

Também Alfredo Pimenta nos seus "Elementos da História de Portugal",se refere a que,em Abril de 1808,«Junot induziu miseravelmente algumas figuras representativas do Clero e da Nobreza a irem a Baiona formular determinados pedidos a Napoleão,relativos ao bem estar dos portugueses.O que ele queria,era afastá-los de Portugal e retê-los presos em França,como aconteceu.»

Tais figuras,eram os Bispos de Coimbra e Algarve,os Marqueses de Marialva,Penalva,Valença e Abrantes,o Conde do Sabugal,o Visconde de Barbacena,D.Lourenço de Lima,D.Nuno Álvares Pereira de Melo e 2 representantes do Senado da Câmara,Joaquim Alberto Jorge e Tomaz da Silva Leitão.

Para destruir os boatos que corriam a seu respeito,o citado Bispo de Coimbra,D.Francisco de Lemos,fez uma exposição pormenorizada do que se passara em Baiona,ao Principe Regente(futuro D.João VI),principiando pela intimação de Junot,ordenando-lhe que fizesse parte da tal deputação e se preparasse para partir e relatando em seguida,com documentos comprovativos,a viagem através da Espanha,os factos ocorridos em Baiona e Bordeus e,finalmente,o seu regresso a Portugal.Pensou,escreveu ele,declinar o encargo,alegando a sua avançada idade e inevitáveis incómodos da jornada,mas resolveu partir porque lhe pareceu que «podia ter ocasião de fazer algum serviço a V.A.Real».

Havendo-se juntado em Baiona-continua-os membros da deputação,presidida por D.Lourenço de Lima,concordaram nos pontos que queriam tentar expor a Napoleão,além daqueles que Junot alegara.

"O primeiro objectivo não foi pedir ao Imperador que fosse o Rei de Portugal,como tem dito algumas pessoas mal informadas;mas sim de tratar perante ele da conservação da inteireza do Reino,da reintegração da amizade e harmonia entre o Imperador e o Principe Regente N.Snr.,da vinda do mesmo Senhor e da sua Real Familia para Portugal e,não podendo isto verificar-se,da vinda do Principe das Beiras,seu filho e do seu casamento com uma Princesa da Familia Imperial.Tais foram os pricipais objectos da negociação que tratou perante o Imperador».

Este nem o ouviu,atalhando logo as diligências e mandando-os internar em Bordeus,de onde sairam feita a Paz.

É interessante notar o que,já em 1827,referia Walter Scott:

«Não tardou que Napoleão prescindisse dessa assembleia de homens notáveis de Portugal e os deputados foram mandados para Bordeus,onde permaneceram no esquecimento e na indigência,até ao momento da paz geral que lhes permitiu voltarem para suas casas».

"João do Ameal,na sua História de Portugal,relata a propósito dessa passagem da Guerra Peninsular:
«Organiza o Duque de Abrantes a famosa deputação a Baiona,sob o pretexto de solicitar de Napoleão um abatimento na contribuição de guerra e a liberdade dos nossos prisioneiros.O que todavia se procura é privar-nos de certo número de figuras proeminentes,que ficarão como reféns».
A titulo de curiosidade,referiremos que a contribuição aludida era de "desoito contos de reis",na verdade muito pesada para o depauperado tesouro nacional,constantemente alvo de arremetidas por parte dos invasores e daqueles que da situação se aproveitavam para fazerem fortuna.
D.Francisco de Lemos,escreve ainda ter chegado a Baiona em Abril de 1808,ter partido de Bordeus em 15 de Setembro de 1810 e em pricípios de Novembro desse ano atravessado a fronteira portuguesa,vendo no seu regresso inesperado,pois voltara antes dos outros expatriados,"um maravilhoso efeito da Providência Divina, que quis atender aos seus votos contínuos para restituir-se a este Reino,facilitando-lhe o meio mais oportuno quando tudo parecia conspirar e desvia-lo dele e rete-lo na França,pela sua constante adesão a Vossa Alteza Real».
Cremos explicada,pelo exposto, a razão da ideia de que os Lemos de Condeixa mantinham boas relações com os franceses;tão boas eram que,no entanto,foram seladas a balas no "salão queimado" do Palácio de Condeixa,em 1811,quatro meses depois do regresso do Bispo de Coimbra a Portugal!"

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CONDEIXA E AS INVASÕES FRANCESAS

Assinala-se na década que está a decorrer,o 2º Centenário das Invasões Francesas.

O país inteiro sofreu a infeliz estratégia de uma monarquia que, apressadamente,abalou para o Brasil,levando atrás de si toda a medrosa corte aristocrática,alegando altos interesses de Estado e abandonando assim a Pátria às mãos ávidas de franceses e espanhóis.



Evidentemente, não vou aqui dissecar as razões das atitudes então tomadas.Careço de capacidade intelectual para o fazer.Estas considerações servem apenas de intróito ao tema que seguidamente apresento.



Condeixa,por estar localizada no eixo rodoviário Lisboa-Porto,foi uma das mais martirizadas terras,tanto pelos exércitos de Napoleão,como pelos dos seus opositores,as tropas anglo-lusas que por cá estiveram aboletadas,com o respectivo prejuízo causado à população.Mas foram as tropas de Massena quem mais destruiu Condeixa,tanto na retirada após a batalha do Buçaco,como posteriormente na fuga,depois de destroçadas nas linhas de Torres.



Da sua passagem pela vila nos dá conta a parceria Fernado Rebelo e Isaac Pinto,num conjunto de cadernos intitulados "Subsídios para a história de Condeixa",editados em 1953. É o conteudo de um desses cadernos que passo a transcrever,com a devida vénia aos autores:






"O Palácio também foi incendiado pelos franceses"






"Na Enciclopédia Histórica de Portugal,de Duarte de Almeida,lêem-se no volume 5º,pág.38,as seguintes frases:



«Condeixa-a-Nova foi uma das terras que mais sofreram com a Guerra Peninsular.Em 1811,as tropas de Massena saquearam-na em grande parte,sendo incendiados mais de 40 edifícios,incluindo a Igreja Matriz. Entre as casas que escaparam à devastação,contava-se o palácio do desembargador Manuel Pereira Ramos,exclusão que deu muito que falar ao povo.»



É bem visivel a suspeita que outros autores confirmam,mantendo-se assim,uma ideia que parece não corresponder à verdade.



No intuito de tentar esclarecer um equívoco que lançou a nódoa do falso patriotismo sobre a familia dos Lemos, ainda hoje respeitada em Condeixa,transcrevemos uma carta dirigida pelo referido desembargador Manuel Pereira Ramos,a seu tio Bispo Conde de Coimbra,em 23 de Março de 1811,cujo original está em poder do senhor Álvaro Pedro Augusto,residente em Condeixa-a-Nova.(nota:actualmente,a sua filha e única herdeira,possui um valioso espólio,onde se encontra também esta carta.É imperioso que a Câmara de Condeixa procure adquirir esse verdadeiro tesouro,onde está patente muita da história da vila!)

Il.mo e Ex.mo Snr.Bispo Conde


Meu amado Tio e Snr.do Coração


Infelizmente para mim,de tantas cartas que a V.Exª tenho escrito,ainda não recebi resposta alguma de V.Exª,o que me enche de grande mágua e desconsolação por ver que V.Exª ainda não acha tempo de me perdoar o passado restituindo-me a sua graça apesar dos perdões e protestos que tenho feito;e apenas uma carta do padre Vicente!

Agora que se acha restituido o correio da terra à antiga carreira,sendo hoje o primeiro dia que daqui sai,não quero deixar de procurar novamente notícias de V.Ex.ª estimando se ache de todo restabelecido do cansaço da jornada e passando sem novidade maior na sua saúde.Eu por algum tempo estive em grande cuidado a respeito de V.Exª mesmo por notícias vindas dessa terra logo depois da sua chegada a ela,pois ouvia que o turbulento povo dessa cidade não tratava V.Exª senão pelo Bispo Jacobino,porém logo depois as mesmas notícias me sossegaram pois anunciavam que em consequência das muitas esmolas que V.Exª dava,mudaram logo para lhe chamarem Bispo Santo.Igualmente me deu cuidado o fazerem-me perguntas avulsas algumas pessoas que tinham relações com os senhores do Governo dando a entender-me que V.Exª se não tinha dirigido de prontidão a eles,mas tambem as mesmas me anunciaram depois o tê-lo V.Exª feito e estar bem visto com os ditos Senhores.

A respeito da retirada do Exército Francês nada digo a V.Exª porque agora mais brevemente nessa cidade terá tido V.Exª notícia dele do que eu;somente digo que esta retirada lhe tem sido mais violenta que uma batalha campal em que seguramente não perdiam tanto.No Alentejo,há dias que estão batendo Campo Maior com poucas forças e esperamos todos os dias seja corrido pelo nosso Exército do Alentejo que comandado por Beresford se não acha mais que sete léguas distante da Praça.Deus permita que assim aconteça e que a demora de socorro não faça com que a Praça se entregue,pois conta ter pequena gurnição e só de milicianos.

Os inimigos na sua retirada foram deitando fogo a todas as povoações por onde passaram sendo Condeixa a terra que sofreu mais e as primeiras notícias que correram era de que totalmente tinha ficado queimada;porém felizmente escapou a minha casa e duas ou três moradas próximas e fronteiras e a Casa do Almada;o resto da terra,inclusa a Casa dos Sás e a Igreja,tudo ficou em ruínas.

Eu perdi muito porque grande parte das casas da rua Nova,Praça e rua do Cabo, me pagavam foros e rendas.No palácio,chegaram a deitar fogo,mas não pegou por milagre da Senhora da Piedade que a defendeu,pois que foi a única com que não entenderam e ficou no seu trono,presenciando esbandalharem o altar,abrirem o carneiro e todos os mais Santos e Imagens das mais capelas foram deitados por terra e feitos em bocados.Queimaram-se muitos toneis e pipas e deitaram abaixo os muros de prumo para meterem dentro cavalaria, a aproveitar uma pouca de cevada que havia semeado nele;destruiram-me o lagar da estrada Nova e alguns olivais.

Portanto,não fui mal convidado,e não tem lugar o que dizem certos malévolos aqui,que escapou a minha casa por pertencer a um sobrinho de V.Exª;porém eu tenho feito ver a carta que de lá tive,em que me comunicam tudo quanto acima se refere.Já partiu o padre José António para lá,a continuar na administração daquela infeliz Casa,que ainda este ano ou nada rende, por terem os rendeiros largado as terras e não haver meios de cuidar de todas por falta de bois e sementes.

Portanto,terei de continuar a padecer as misérias que a V.Exª tenho comunicado,pedindo socorro pequeno ou grande,que em tudo me faria uma grande esmola,porém não fui atendido e agora não sei o que será de mim,porque o primo Bispo de Elvas que até agora muito me ajudava,com o cerco de Campo Maior perdeu grande parte das suas rendas e não tem já com que possa acudir-nos.Se não fosse ele,confesso a V.Exª,que não seria de nós!Minha Mulher que vai em 5º mês da sua gravidação,pede a V.Exª a sua benção e desejava muito,assim como eu,que V.Exª em tempo competente seja Padrinho do que houver de nascer,tendo sido nosso primo Bispo de Elvas,das suas primeiras meninas,e deste último agora os Marqueses de Belas.O meu pequeno tem estado muito doente com um catarral,mas vai melhor.

Compadeça-se V.Exª de mim,socorrendo-me com o que lhe parecer,não podendo actualmente fazer esmola maior e lançando-me a sua benção.

Lisboa,23 de Março de 1811

De V.Exª,sobrinho muito obediente

Manuel

" A carta transcrita,parece não deixar dúvidas,quanto ao incêndio do Palácio pelas tropas napoleónicas e,a reforçar esta ideia,escreve-nos (20/7/1955) uma bisneta do desembargador Manuel Pereira Ramos,a Ex.ma Sra. D.Margarida de Lemos Magalhães,esclarecendo que o ataque dos franceses ao Palácio de seu bisavô,foi um facto incontestável.Lembra-se perfeitamente de lá existir,há poucas dezenas de anos ainda, uma sala,das maiores da frente,a que chamavam a "sala queimada" e também a "sala dos franceses",que tinha a parede de fundo toda crivada de balas e sinais de incêndio nos madeiramentos interiores das sacadas.Diz a mesma senhora que não sabe por que motivo,tantos anos decorridos,estava aquela sala ainda por restaurar,lembrando-se perfeitamente do mêdo que sentia,quando criança,ao entrar naquela vasta sala,queimada,sem mobilia,sempre fechada à chave,onde se guardavam quadros,loiças para consertar e outros objectos que se estendiam pelo chão.
Resta explicar a razão que originou a ideia,tão arreigada ainda,de que a família Lemos estaria afecta aos invasores franceses.

Respigamos da História de Portugal,de Fortunato de Almeida,a seguinte referência:

«Em Fevereiro de 1808,determinou Junot,enviar uma deputação portuguesa a Napoleão.O verdadeiro fim que ele se propunha,era escolher um certo número de pessoas notáveis,para em França ficarem retidas como reféns;mas coloriu-se a violência com o pretexto de que,a deputação ia pedir ao Imperador,a diminuição da contribuição de guerra e a liberdade dos prisioneiros portugueses.Esta alegação era um embuste.»

Continua


domingo, 15 de novembro de 2009

BRINCANDO COM AS ORIGENS


O ano passado foi publicada no Diário de Coimbra uma carta assinada por mim,com o título "As origens do topónimo Conímbriga" e na qual brincava sobre este tema.Para quem na altura não leu a mencionada carta,aqui vai,mais ou menos, o que dizia:
" Frequentemente pergunta-se qual a origem do nome Conímbriga e a data da fundação de Condeixa,a velha ou a nova,tanto faz.As explicações são,regra geral,tão controversas que acabamos por ficar a saber o mesmo,ou seja,nada.
Não sendo historiador nem tendo andado por programas televisivos,evidentemente não me arrisco a ligar o nome daquele lugar à presença de hipotético guerreiro "Nim",aparecido para salvar a integridade de princesa donzela ameaçada por feroz cobra,contra a qual ele bravamente lutou e venceu em sanguinolenta "Briga".Em consciência,parece-me que falta aqui explicar como é referido "Nim"e "Briga",sem mostrar o "Co"(leia-se Có).Por minha grande pena,confesso não ser erudito!Conheço porém suficientemente a génese de três acontecimentos interligados que podem,de alguma forma,clarear as ideias: a razão do nome Conímbriga, a provável data da fundação de Condeixa e a origem das célebres "escarpiadas",especialidade doceira genuína de Condeixa.Aqui vai a "estória":
" Há muito, muito tempo,existiu cerca do local onde hoje se localizam as Ruínas de Conímbriga,um pequeno povoado de gente rude e simples que vivia da parca agricultura. O local era conhecido por terra dos Cónios...e das Cónias,evidentemente.Um dia,os romanos que tinham a mania de conquistadores,apareceram por ali e pretenderam expulsar os naturais para lá construírem uma cidade.Ora os Cónios(de ambos os sexos),eram simples mas não eram parvos.Corajosamente,decidiram lutar com vigor.Mas que podiam eles fazer contra a força bruta das poderosas legiões?No fim,o Centurião impressionado com a valentia daquela gente,perguntou como se chamava o local.A resposta,naturalmente,foi que era a "terra dos Cónios...e das Cónias"."Pois então,disse o general romano,se são Cónios(ignorando discriminatóriamente as Cónias)e tão bons de briga,ordeno que a partir de agora esta terra passe a chamar-se Conímbriga!"(explicação mais terra a terra do que aquela balela do guerreiro e da cobra!)
Pouco mais de meia-dúzia de séculos depois,outros conquistadores resolveram também dar cabo da paciência dos pobres iberos.Lá dos confins,Gôdos,Vandalos e Suevos vieram correr com os romanos e tomaram conta de tudo.Vieram,conquistaram e ficaram!Os Godos,com o tempo passaram eufemisticamente a chamar-se obesos e os Vandalos...bem,esses acho desnecessário explicar por onde andam!Mas guerreiros vindos do norte de África,decidiram também molhar a sopa e foram ocupando o que podiam.Entretanto,lá para o norte,junto à Galiza,um certo príncipe,danado porque a mãe queria dar as suas terras a um tal Conde de Trava,discutiu com ela(dizem até que chegou a dar-lhe uns tabefes,o malvado),fechou-a num quarto escuro e declarou-se rei daquilo tudo.Como era bastante iletrado,resolveu vir para Coimbra estudar.No intervalo das aulas(e nas gazetas!),passava o Mondego e vinha para aqui bater nos moiros e nos pobres indígenas,só para aliviar o "stress".É claro que estas cenas provocavam muitas vítimas.E surgiu um problema:ou as pessoas lutavam,ou velavam os falecidos.Pensaram,pensaram e encontraram a solução.Contrataram umas senhoras especializadas em carpir nos velórios.Toda a santa noite, ali estavam elas,coitadinhas,no seu triste fadário!Ora como eram naturais de uma região caracterizada pela produção de doces conventuais,exigiram que logo pela manhã lhes servissem um cházinho acompanhado de apetecíveis bolos.Um problema para este povo,habituado apenas à brõa e sardinha!Então,uma velhota, que servira como cozinheira em casa de uns senhores lá para os lados de Pereira,disse que conhecia uma receita prática e barata de fazer bolos.Mandaram chamar um padeiro,por sinal surdo que nem uma porta e a velha começou a dar-lhe instruções.Observou-se então o seguinte diálogo:"deita farinha na gamela e amassa com água-Com?,perguntou o surdo-Com água;depois de amassar bem,mistura mel com azeite-Com?-Com azeite.Agora leva ao forno...-Com?-Deixa,disse a velha,farta das perguntas do mouco,eu acabo o resto!"
Ora aqui está como se fez o nome da terra! E simultâneamente se iniciou a fabricação da mais famosa especialidade doceira!Resta dizer que,como os deliciosos pitéus eram um mimo para as "carpidas",corruptela de carpideiras,evoluiu para "ascarpidas ou escarpíadas,melhor que"escarapiádas",como também lhes costumam chamar,por sinal sem piada nenhuma.
E assim se prova que a fundação da vila é coeva da própria fundação da nacionalidade,embora alguns historiadores,baseados em documentos, queiram desmentir,argumentando que no tempo de Afonso II das Astúrias o povoado já existia. Contrariadores!
Mas a vila tem ainda outro produto de nomeada:o "Licor de Leite"! Uma vila tão bonita,"cheia de encantos mil",como os brasileiros posteriormente aprenderiam a dizer(cidade, maravilhosa...),só podia ser a "terra do leite e do mel".Lá está,leite para o licor e mel para as escarpiadas,tão fofinhas e gostosas! Venha daí deliciar-se e terá oportunidade de verificar que falo verdade,embora apenas quando me refiro às escarpiadas!!!